sábado, 7 de fevereiro de 2009
Cat Power faz show em silêncio.
Começando pelo meu primeiro show do ano: Cat Power, Cantora que curto muito já faz um bom tempo. O estilo dela vacila bastante, é fato. A carreira é tudo, menos linear;Começou com dois albinhos Lo-Fi, ficou mais Pop, clássica, blues. Isso tudo sem contar nos covers doidos que ela faz. Somando a instabilidade musical, vem a instabilidade emocional, alcool e cigarros, esquizofrenia, temporada mendigando pelas ruas de Atlanta...que óbvio, contribui para uma mistura perfeita.
Mas o que sempre me chamou atenção nessa cantora de voz rouca foi a personalidade. Nunca vi igual. Adoro suas composições, que embora não sejam seu forte, são de uma originalidade absurda. Acho que nunca vi alguém com tanta coragem de expor suas influências como ela faz escrevendo uma porção de músicas em homenagem a seus ídolos. minhas preferidas são as alusões a Kurt Cobain como por exemplo na linda "I don't blame you", onde ela infantilmente compreende Kurt e todo seus problemas na infância.
Acho que é essa característica meio psicopata infantil que sempre me agradou nela. E o show, o imprevisível show, definitivamente foi cheio disso. A começar pelo atraso incomum, seguido de um palco sem iluminação alguma. Pra completar a falta de luz que parece acidental, vem o fato de que a Chan é exageradamente introspectiva, e não contente em só cantar pra ela, passa a maior parte do show escondida atrás das caixas de som. A coisa é tão doida que inúmeras vezes ela chegou com o microfone perto da caixa ao ponte de fazer aqueles barulhos de inteferencia insuportáveis. E numa atitude super rockstar, ela sempre pedia desculpa quando isso acontecia.
A set list foi bem decente. Agora...ela mudava tanto as músicas que algumas (pra não dizer todas) ficavam irreconhecíveis. Mudava os arranjos, os ritmos, as letras...fazendo com que o show fosse um espetáculo a ser assistido...bem pouco interativo. Prova disso foi quando ela veio pra galera (e se jogar na galera parece lei aqui em NY). Não tinha nenhum engraçadinho se jogando na Chan, desmaiando, tirando fotos, ou cantando junto usando toda a capacidade pulmonar. Pelo contrário...todo mundo estava de fora, assistindo em transe a caminhada da Chan no meio do público, como se estivessem com medo de fazer um movimento muito brusco e estragar o momento. Ela parou do meu lado. Ficou pertinho mesmo, e por um bom tempo. Deu até pra sentir o perfume cítrico dela.
****
O resto continua o mesmo. Oakdale não mudou muito, nem Manhattan. O que é bom. Ou não. Sei lá.
Voltando da cidade, olhando pela janela do trem, me deparei com uma velha música do Belle and Sebastian que é a mais nova música a complementar minha alma. Pelo menos no momento. Mas esse que é lado bom de gostar de bandas velhas que já lançaram milhões de cds e que tem bilhões de lados b. O lado ruim é nunca virar especialista mor...mas essas tardias descobertas compensam.
É difícil de explicar minha indentificação com B&S. É algo bem sutil. talvez a mistura de arrogancia com insegurança com ingenuidade que devem ser um dos meus principais ingredientes (hi hi hi). ou o sarcasmo quase incompreensivél. ou talvez o tema, a situação. Essa "Act Of The Apostle II" por exemplo, fala sobre uma coisa bem momento-confuso-em-'college'. Fala sobre a necessidade de crescer, e de ter todas as condições para isso -vontade, tempo e competência. Mas o quanto é preciso tomar atitudes, por a mão na massa, assumir riscos, e fazer tudo isso sozinho. E é...as coisas podem ficar confusas ao ponto de uma caminhada, ou uma volta sem rumo de trem parecer a única saída pra esfriar a cabeça.
ACT OF THE APOSTLE II
I'm bored out my mind
Too sick to even care
I'll take a little walk
Nobody's going to know
I'm in senior* year
It gives you a little free time
I'll just use it all at once!
Took the fence and the lane
The bus then the train
Bought an ‘Independent' to make me look like I got brains
I made a story up in my head if anybody would ask
I'm going to a seminar!
I'm a genius
A prodigy
A demon at Maths and Science
I'm up for a prize
If you gotta grow up sometime
You've to do it on your own
I don't think I could stand to be stuck
That's the way that things were going
* Tá!tá! Eu ainda sou Junior!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Obama e Billy Corgan.
E de fato todos as principais ideias ligadas ao partido do elefantinho vermelho - guerra, arma, planos de saúde visando lucro financeiro, mentiras, burguesia, blá blá blá- são dignos de ódio.
Mas é preciso ser realista, certo? E olhando pras coisas de um ponto de vista mais crítico, me vejo numa emboscada danada, odiando McCain visceralmente mas discordando radicalmente da campanha do Obama e temendo pela classe média alta americana.
Primeiro pelo método de campanha adotado pelo Obama. Ou melhor, pelo método democrata em geral. Que em resposta aos 8 anos de Bush, o homem mais medíocre do mundo no poder, aderiram a políticia do terror. desde sempre eles vem cantando que os Estados Unidos está para explodir. Taxes, aposentadoria, plano de saúde...tudo virá abaixo e metade da população vai viver pra sempre na miséria e blá blá blá....
Até que a tática funciona, afinal, tudo na vida tem altos e baixos, e quando a gente tá no alto ( e os Estados Unidos ficaram no alto por muito tempo), a gente só pensa no tamanho da queda, que sim, seria e foi bem grande.
Agora, pensando na economia, por exemplo: Se vc mete medo na população, mete medo nos investidores internacionais, mete medo em todo mundo, o que vai acontecer? Hein Hein Hein? vai todo mundo ficar com medo(Dãããr!), ficar inseguro, cortar investimentos e tirar dinheiro do mercado mesmo antes de tudo começar a ficar ruim.
Sim...um dos motivos que causaram a explosão economica por aqui foi a insegurança, a falta de confiança no mercado americano, e eu acredito que as ameaças democratas tenham sido de grande influência pra essa insegurança.
Outras coisa que não me deixa muito animada são os planos do Obama. O que ele disse que ia fazer com os Taxes é de um nonsense absurdo! É literalmente fazer o rico pagar mais, pegar o dinheiro do rico e dar, assim de graça, pros pobres. É redistribuição de renda! ( e depois ele não quer ser chamado de socialista pelos ricaços caipiras sulistas)
As propostas dele pra reerguer a economia também...giram em torno de muita 'regulation'. O que basicamente significa que o governo vai estar sempre metendo o dedo onde não é chamado, fazendo regrinhas tolas, e acabando com a política de Free market ( que sim, eu sou super a favor!).
na verdade, quando a gente ouve essas ideiazinhas socialistas, a gente fica super animado, e tende a simpatizar. Mas está mais do que provado pela história que socialismo não funciona, por motivos ideologicos e principalmente por motivos economicos. Prova disso são os países europeus, que embora sejam mais ou menos socialistas economicamente(muitamuita regulation), sofreram muito com a crise dos States, provando depender do Free market capitalista. E pior que isso, enfrentam hoje um nível de desemprego fora do normal.
Fennie May e Freddie Mac também estão aí pra nos abrir os olhos. As duas maiores companhias de empréstimo mobiliário quase faliram e levaram o mundo inteiro com elas pro ralo. E essa falha gigante surgiu de uma ideia (democrata, na era Clinton) super bonitinha de que todo americano tinha o direito de ter uma casa própria (mesmo sem poder pagar por ela), e de uma série de erros bizarros pelos caras a frente das companhias, sendo um deles, o principal homem da economia do Obama!!!!
Mas calma! Eu só me divirto atacando o Obama porque nessa eleição os republicanos falaram por eles mesmos. A dupla McCain e Palin são tão ridículos que nem merecem consideração, embora economicamente mais pé no chão.
E é preciso dizer que foi de arrepiar ver a alegria, e a supresa dos americanos quando o primeiro presidente negro foi oficialmente eleito. Os negros comemoraram como se fosse reveillon, e os brancos, embora alegres, pareciam não acreditar que aquilo realmente estava acontecendo.
Change We Need
***
mas vamos falar de coisas legais!SMASHING PUMPKINS!
Sim, eu Tamiris, os vi ao vivo. E cara, sempre dei Smashing Pumpkins como terminados, acabados...Billy Corgan me provou o contrário. Ele provou que é o Smashing, e que o Smashing é ele! E deu pra entender bem porque ele egoistamente sempre registrou todas as músicas em seu nome, e porque sua Interessante carreira solo e o genial Zwan nunca deram certo. Billy no alto de seus 3 metros mostra uma alegria imensurável cantando os velhos sucesso dos Abóboras. E surpreende a cada momento com sua atitude rock'n'roll e sua voz super forte! É vendo pra crer!
O show foi foda! Iluminação incrível, set list perfeita!
Começaram com as músicas novas, que embora longe de clássicas, são uma delícia ao vivo.
Terminaram essa primeira parte, aliás, com a ótima United States. E no finalzinho da música, Billy tomou a frente do palco e tocou o hino americano com a guitarra na costas, meu! Fodástico!
Depois numa conversa com o público soltou um : "sorry, I don't speak New York. I speak Obama"
What the hell is that supposed to mean?????
A segunda parte do show foi de tirar o fôlego...tocaram Mayonnese e Tonite,Tonite uma seguida da outra. você tem noção do que é isso? As duas músicas mais fortes da história em sequência? Acho que meu coração parou, ou acelerou e depois se comprimiu e depois explodiu! Foi lindo. Sem contar com as luzes vindo do palco como se fossem estrelas caindo..igualzinho no clipe!Ual!
Também tocaram as lindas calminhas do Adore numa formação a la Arcade Fire. Coisa mais linda do mundo!
A última parte foi Heavy metal! provando que eu, Tamiris, gosto sim de rock. E de novo a iluminação (perfeitamente perceptível naquele teatro e/ou igreja onde foi o show) foi única, com uma luz fortíssima jogava violentamente contra os olhos do público como que dizendo: "se não aguenta o peso, vai embora!".
E Billy finalizou o show com uma longa, e estranha conversa com o povo. dizendo que todos nós éramos lindos!
"and the message is, if there is a message, that you are beautiful!"
Pra completar, depois do show, o metrô estava completamente tomado por fãs comprimidos do Smashing Pumpkins. Dammit, I love New York!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Filmes e o resto...
Bem...o lado bom dos últimos dias é que ando vendo bastantes filmes. Portanto resolvi fazer um curto resumo das minhas opiniões; só pra deixar registrado, ler de vez em quando, e tentar me contradizer um pouco menos...que demoro séculos pra decidir se gostei ou não gostei de um filme,ou até mesmo pra dizer se o filme vale a pena ou não.
Enfim...
Nick And Norah's Infinite Playlist: Depois do sucesso de Juno, Superbad, Knocked Up e derivados, parece que reolveram ir direto ao assunto e fazer um filme total indie: com história Indie, atores indies,e mta banda indie boa na trilha. Tinha Tudo pra ser uma delícia de filmezinho com muito a acrescentar à cultura pop. Acontece que esqueceram que indie nada tem de comercial, e quiseram fazer um filme muito, mas muito comercial e babaca. Péssima combinação! erro total no trajeto. Saí do cinema com as mãos abanando, sem nenhuma conversinha indie sobre bandas que só eu conheço pra me deixar feliz. Até Sexta -Feira Muita Louca, com a Lindsey Lohan e feito pela Disney tem diálogos mais interessantes. Zero estrelas, porque nem reconheci a música do Vampire Weekend.
My Best Friend's Girl: tenho que confessar...ri demais nesse filme! Pra provar que não sou tão chata/arrogante, e o quanto sou capaz de apreciar um filminho comercial feito pra quem vai no cinema em grupo e faz guerra de pipoca. Tres estrelas, porque embora divertido, não dá pra dar mais que isso.
Vicky Cristina Barcelona: Woody Allen é o melhor escritor do mundo! tem o melhor humor do mundo! E tem o melhor jeito do mundo de ver o mundo! Ele tem um jeito leve, meio tragico-comico de mostrar que, oh welll, as pessoas nunca mudam. Vicky Cristina Barcelona é um filme sexy e dilicioso, que em momento algum nos faz sentir mal, ou questionar nossa vidinha miserável nos colocando no lugar dos personagens...mas que no fim das contas, tem uma 'moral da história' realista e triste. e muito, muito comodista. Quatro estrelas, porque me fez questionar, mas não me fez sentir vontade de mudar.
Bilndness: Primeiro que é de cegar visualmente! Literalmente mesmo! Fotografia óbvia, mas eficiente e muito, muito incômoda. Segundo que Fernando Meirelles prova que é um Ridley Scott do Brasil. faz cinema redondo, cobrindo todos os pontos básicos. mescla o forte e o agradável na medida certa. Ou seria melhor dizer, o muito forte e o aguentável? Mesmo antes de Blindness, sempre admirei o Meirelles por essa capacidade de dar ao espectador uma escolha: a de ir fundo no filme, e sentir nas entranhas seja lá qual for a sua dura mensagem. ou de assistir só, acompanhar a história , e apreciar um filme bem feito com as entranhas intactas. Acho que foi essa fórmula que deu tanto sucesso a Cidade de Deus, e ao (chato) Jardineiro Fiel. Quatro estrelas só, porque meu estômago aguentava mais.
Dans Paris: Sem dúvida o preferido das duas últimas semanas! Por 'n' motivos! Ultimamente as telas de cinema tem sido invadidas por filmes sobre o universo feminino. E não é por menos, as mulheres são fodas, mais inteligentes e já (!) dominam o mundo. Mas Dans Paris faz diferente, mostra o universo masculino, e aaaaaaaaaaaaah...como homens são bonitinhos! o filme mostra a masculinidade charmosamente deliciosa de uma família formada por um pai e seus dois filhos,Paul e Jonathan (Louis lindérrimo Garrel). E as tentativas absolutamente sem tato, do pai e de Jonathan de tirar Paul de uma depressão terrível. Tudo isso numa linguagem poética atípica no cinema, meio teatral/musical/experimental... mais uma das loucuras do diretor Christopher Honoré. Diretor esse, que em minha singela opinião, tem em Dans Paris sua obra prima. Sem abusar sexualmente do atores, sem situações irreais que nos fazem temer a falta de moralidade francesa, e com muita, mas muuuuuuuuita sensibilidade. Pra melhorar, Louis Garrel está esplêndido, confirmando seu talento absurdo, e logicamente seu charme irresistível.
Aaaaaah!Trilha sonora magnífica ( e já baixada)! Cinco estrelas, e merecia mais!
***
O resto:
- NYC é o que há! Não existe explicação plausível pra sensação de caminhar pela Quinta Avenida, tomar sol no Central park, ou um café Starbucks no Time Square. Ainda mais com companhia brasileira. parece babaca, mas falar português no centro do mundo é único! Sensação incrível de que o mundo é meu, está aos meus pés. Sério!!! E aquele Times Square de noite. o que é aquilo? perdi a conta de quantas vezes olhei pra cima, de queixo caido pensando "uaaaaaaal". Outra coisa que me faz sentir bem comigo mesma tem sido a minha habilidade de pegar o metrô, e entender onde estou indo mesmo quando muito perdida. Mais duas idas pra city e vou conhecer Manhattan com a palma da minha mão.Juro!
- School sucks! Todo dia quando acordo tenho que fazer uma lista de porque eu não posso faltar da aula. Se não fizer a lista não levanto da cama. Não sei se estudar que é chato, ou se o problem é estudar de manhã. mas a combinação dos dois me dá raiva de vez em quando. isso porque nem tem aula amanhã....
- terminei Assim falou Zaratustra...livro pequeno mas difícil. E nem acho que seria redundante se escrevesse outro post sobre quanto Nietzsche é foda. mas estou com preguiça, e a coisa é complexa. Deixa pra outro dia.
- Se eu tivesse um LastFm estaria passando vergonha agora. Pois meu LastFm apontaria Legião urbana como banda mais ouvida dos últimos dias. mas estou me acostumando com essas fases nostálgicas, e outra...Renato Russo é um puta dum Compositor.
- CSS toca direto naquela nova MTVU. orguuuuuuuuuulho!
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Nietzsche.
Bem...mas toda essa introdução do "Eu odeio estudar..." pra dizer, felizmente, que acho que gosto de Economia. odeio todas minhas classes, menos as de Economia. E sério...pensamentos econômicos tem consumido muito de meu tempo, e me fazendo viajar mais do que o normal. Inclusive na quadra de tenis.
Enfim, tudo começou com o surgimento de Economia como uma ciência...Meu!Sabia que economia só surgiu com o capitalismo?
É! Economia só apareceu no mundo com a ascensão do capitalismo como sistema. e sabe porque?Hein hein hein?
Simples: antes do capitalismo o homem não precisava estudar seu sistema econômico (e eu não deveria usar essa palavra aqui), sua forma de governo, seu dinheiro ou divisão de bens. Tudo fazia sentido. Seja no feudalismo,socialismo ou na monarquia...era preto no branco!Fácil de entender.
Mas daí os homens começaram a se organizar de forma capitalista, e não conseguem entender o que os leva a se organizar desse jeito. precisavam de uma ciência pra entender isso. É o nascimento da economia.
O capitalismo é um sistema que claramente move a humanidade num caminho autodestrutivo: Sucesso significa pisar nos outros, nos desenvolvemos de forma a esquecer nosso passado, e literalmente estamos explodindo nosso planeta.
Como o Capitalismo sobreviveu e continua a existir é um mistério.E quanto tempo ele vai durar é um mistério maior ainda.
Só o tempo dirá...
(confesso que nunca havia pensado nisso...)
***
Outro intenso consumidor de pensamentos é Nietzsche.
"Nietzsche é tóxico!" (palavras de meu professor de economia.)
De longe ele parece um louco, doente mental com sérios problemas de relacionamento que vê tudo de forma pessimista, odeia a humanidade e tem um lado dark anti-cristo de dar medo.
Mas de perto....só alguém muito são, absurdamente inteligente e bem resolvido, amante da humanidade e de coração cristão poderia dizer o que ele diz.
Assim Falou Zaratustra é um presente para os homens. É forte sim, e nos força a encarar a verdade, sempre deixando como consolo a beleza de nossas fraquezas. Somos fracos, mentirosos e - não poderia concordar mais - somos animais que ajem por instinto. Mas não devemos nos envergonhar disso. Não devemos nos envergonhar de quem somos, de nossas entranhas, nossos desejos....
Afinal, vivemos num mundo incerto, feito de aparências que julgamos realidade. E por isso buscamos desesperançosamente por respostas que não existem. criamos outras realidades e outras dimensões pra não olharmos a verdade. A verdade de que o corpo material, e nossas impressões manipuladas do mundo são tudo o que temos.
E nesse ponto vejo em Nietzsche um gigante defensor do Carpe Diem. Não do Carpe Diem que aprendemos na TV onde aproveitar a vida é correr na chuva, andar descalço na grama e gritar palavrões do alto do penhasco. Mas do Carpe Diem realista. Se nossas mentiras sào tudo o que temos, o melhor a fazer é assumi-las. e vive-las aqui e agora. e assim seremos suficientes.
Pra Nietzsche, o mundo não tem sentido. razão não se aplica. Nossos julgamentios são todos errados e portanto ele também não acredita em moral. Moralismo nada mais é que uma baboseira imposta pela cultura ocidental.
And again...Ual!Eu não poderia concordar mais com ele. Ainda mais sabendo que embora a moral não exista, ele acredita (e muito) em valores.
And hey! Eu só acredito em valores.
Pra piorar a situação..Nietzsche, deliberademente escrevia "difícil" pra que pouca gente o entendesse. So para os "especiais".
Que de fato, ele dizia verdades. Mas se todo mundo conhecesse essas verdades...aaaaaaah!O mundo seria um caos!
(Palavras do proprio Fritz. O problema é que não consigo deixar de gostar dessa história de ser uma das pessoas especias...)
Acho que posso me considerar uma Nietzscheana..o que provavelmente não é coisa boa. faz de mim ainda mais pessimista e arrogante!
Oh well...
domingo, 27 de julho de 2008
Folkizinho Cute-Cute
I never wanted to be better than my friends
I just wanted to prove wrong the people in my head
the ones who told me I'd be better of dead
the ones who told me that I would never win
when I delivered newspapers they said I was too slow
when I was a barista they said I made lousy foam
when I worked in retail they said I was a slob
much too dumb for school and much too lazy for a job
So I rode my bike like lightning
and I made cappuccinos that would make the angels sing
took two showers a day and I dressed up like a princess
shook my fist in my own face and said I'll show you who's the best
I wrote the kinds of papers teachers hang up on their walls
I was employee of the month at seven different shopping malls
and one time playing football I pulled the tendons in my leg
to prove that I was tough I hopped on one foot
and finished up the game
I thought if I succeeded I'd be happy and they'd go away
but first thing in the morning I'd still wake up and I'd hear them say
\"you're fat, ugly, and stupid, you should really be ashamed.
no one will ever like you, you're not good at anything\"
And sometimes I'd rise to the challenge
but other times I'd feel so bad that I could not get out of bed
and on the days I stayed in bed I sang and sang and sang
about how crappy I felt not realizing how many other people would relate
Now people send me emails that say thanks for saying the things they didn't know how to say
and the people in my head still visit me sometimes
and they bring all of their friends but I don't mind
I play my guitar like lightning
When I sing I like it when you sing too loud and clear
different voices different tones all sayin' \"yeah, we're not alone\"
I got good at feeling bad and that's why I'm still here
I got good at feeling bad and that's why I'm still here
I got good at feeling bad and that's why I'm still here
Eu não achei Juno brilhante. Mas achei o máximo a sacada de reviver o folk de uma forma muito fofinha e bonitinha e cute-cute.
E como exemplo aí está uma música da Kimya Dawson, música essa que segue a tradição folk: desafinada, e contanto uma história longa e inteira, com milhões de palavras descompassadas no mesmo verso.
Além do que, aprecio qualquer cançãozinha loser. Ainda mais se a letra decifrar exatamente o que acontece na minha cabeça 'auto-desconfiante', cheia de pessoinhas me pondo pra baixo mesmo quando faço as coisas certas.
Só me resta dizer:
"Obrigada, Kimya! Obrigada por dizer coisas que eu não sabia como dizer! yeah, nós não estamos sozinhos!Pro inferno com as pessoas em minha cabeça dizendo que sou uma loser!Fiquei boa em me sentir mal, e é por isso que ainda estou aqui!"
sábado, 21 de junho de 2008
A Ignorância.
Milan Kundera e seu romance 'A Ignorância' me fizeram questionar um pouco esse preconceito contra a palavra. E de fato, mesmo assumindo talvez ser a última a perceber, eu ignorava por força do hábito a complexidade dela.
A história segue a mesma linha dos livros do Milan. Disseca relacionamentos, fala de idas, voltas e discute exaustivamente a saudade e a nostalgia. Define nostalgia como "o sofrimento causado pelo desejo irrealizado de voltar" e a saudade como ignorância. Ignorância é a falta de conhecimento, sabedoria sobre determinado tema. E é exatamente essa falta de alguém, de algum lugar, ou de alguma coisa que nos dá saudade.
Lindo isso, não?
Mas meu entendimento tardio de 'ignorância' não se limita a essa recente simpatia pelo termo antes tão repugnante. E nem um livro tão complexo daquele, se limitou a me propor questionamentos dicionáricos.
O livro é focado no retorno. retorno de dois personagens-Irena e Josef- a República Tcheca depois de mais de vinte anos de exílio político no estrangeiro.
Deixando um pouco de lado os lindos questionamentos sobre passado, presente e futuro ( e também a inúmeras frases marcantes sobre esses assuntos), o que mais me tocou na história foi a dificuldade da volta. O quanto os personagens não conseguiram de forma alguma se re-adaptar a terra natal. Quer dizer..na verdade, o que me tocou mesmo e me deixou com um sentimento de identificação foi o porquê os personagens não se daptaram.
Irena, por exemplo: viu suas experiências, hábitos e novo estilo de vida ignorados por suas amigas. Símbolo disso foi quando seu vinho não-sei-das-quantas foi rejeitado, trocado pela boa e velha cerveja. Ato babaca e clichèzinho pra mostrar 'Hey!Nós, pelo menos, continuamos as mesmas'. E pra piorar, durante toda a noite, complementando o pouco caso que suas amigas fazem pela pessoa diferente que ela havia se tornado, elas desconversam, ignoram, não ligam para os vinte anos de histórias que Irena tinha pra contar.
Com Josef –que havia enterrado a mulher recentemente -a situação foi um pouco diferente, mas volta ainda no mesmo problema da ignorância de quem fica(ou vai,acho que não importa).Ainda elaborando o luto, ele se viu num lugar onde ninguém se interessava por sua mulher, ninguém perguntava por ela e nem a conhecia. Era como se ela nunca tivesse existido, e de fato ela nunca existiu ali. Acredito que quando a gente ama, apagar alguém da memória definitivamente não é a melhor maneira de lidar com a morte.
Bem...é mais ou menos aí que mora minha auto-identificação com o livro. Não que eu queira comparar meus quase um ano e meio(voltando de quatro em quatro meses) fora pra estudar com mais de vinte anos de exílio político.
Mas é que sei lá, perdi as contas das vezes em que ao reencontrar amigos escuto algo do tipo “Mas você já voltou?” ou um simples e seco “e é legal lá?” e “não querendo te mandar embora, mas quando você volta pra lá de novo?”.
Nada de errado com essas frases fúteizinhas-educadas, o problema é que as pessoas tem um certo dom pra IGNORAR as outras. Ignorar que aconteceu muita coisa nesse tempo que fiquei fora. Ignorar que possivelmente eu estou mudada por conta dessa experiência, que vejo as coisas diferente, penso diferente, sinto diferente. Ignorar que talvez eu esteja cansada de responder sempre as mesmas perguntas, mas que existem assuntos que eu adoraria falar sobre. Ignorar até mesmo que eu ignoro totalmente o que aconteceu com quem ficou, e que talvez eu esteja interessada no que eu ignoro. E quando isso acontece, assim como Irena e Josef, eu sinto que uma parte de minha vida foi arrancada. Como se o tempo passado longe não importasse, não existisse agora que estou de volta.
A verdade é que um dos grandes problemas dos relacionamentos humanos é que temos a tendência a ignorar tudo aquilo que a pessoa viveu sem a gente. Ignoramos, e ignoramos por querer! Por defesa de nossa auto-estima, ou simplesmente para ficarmos ao lado de nossa escolha (que quem vai e quem fica geralmente fazem escolhas diferentes) . Mas o fato é que com isso vamos ignorando muita coisa importante, as vezes chegando ao ponto de nos distanciarmos tanto, que não existe mais volta.
Pra consolar...No caso de Irena, tinha uma amiga (amiga mesmo) pra tomar o vinho com ela, conversando sobre coisas significativas. No de Josef, a inexistência de sua mulher em sua terra natal foi insuportável. E ele voltou pra casa (exterior) o mais rápido possível.
No meu caso, tenho pessoas que não ignoram minha vida mesmo quando estou a milhares de quilômetros de distancia. (e como isso ajuda!)
Acho que as coisas sempre se acertam, e uma certa dose de ignorância é saudável. O segredo é deixar o futuro fluir...mas sem ignorar aquilo(ou aqueles) que queremos saber.
Ahhhhh! Sobre minha descoberta dicionárica!!! O problema com a palavra ‘ignorância’ não é a falta de conhecimento sobre o tema, mas sim o fato de que quando usamos a palavra nos referimos a falta de conhecimento proposital.
Ignorante não é quem não sabe, mas quem não quer saber!Por isso que a palavra sooa tão nojenta.
Não sei porque, mas tenho a impressão de que fui muito ignorante sobre a ignorância até agora.
sábado, 26 de abril de 2008
The boy done wrong again.
Hang your head in shame and cry your life away
The boy done wrong again
Hang your head in shame and cry your life away
Are you ok now?
Are you ok now?
On saturday you were an angel shining fair
You shone louder, longer
You put my shine to shame
Put me to shame now
Put me to shame
What is it I must do to pay for all my crimes?
What is it I must do?
I would do it all the time
All I wanted was to sing the saddest songs
If somebody sings along I will be happy now
The woodland spring will put the darkness from your thinking
If this town's your sinking ship
Then you know where to jump
Talking dirty, for a hobby it's fine
So pour another glass of wine
I'll think of england this time
All I wanted was to sing the saddest songs
If somebody sings along I will be happy now
Sempre me recusei a pensar que todos os homens são canalhas babacas que só pensam em sexo. mas diante das circunstancias, fica difícil pensar diferente.
Primeio foi o namorado da minha roommate contando segredos intimos dela pros amigos mexicanos. Depois o Bob partindo o coração da Tila Tequila. E agora o namorado da minha outra roommate foi pego no flagra, com fotos da melhor amiga dela semi nua no computador.
Decepcionante!
Pior que isso, me deixa até aliviada por ser tão exigente e fria e difícil. Pelo menos não tenho que lidar com crianças grandes que destroem relacionamentos sérios por motivos babacas.
***
Study mode this week.